Revista Mulher Feliz - Agosto/2022

Quando os papéis se invertem: cuidando dos pais idosos

Quando os papéis se invertem: cuidando dos pais idosos

Daniela Cristina Seghessi

A Associação Pomba Branca da SEICHO-NO-IE DO BRASIL me convidou a escrever este artigo e eu sorri. Pensei: “Será que elas sabem de algo?” e sorri de novo. Aceitei o convite e decidi compartilhar a minha própria experiência, na esperança de poder ajudar, de alguma maneira, os filhos que se encontram na situação de cuidar dos seus pais idosos… e os pais que não sabem o que acontece na cabeça dos filhos nessa situação.

O tempo passa quase despercebido. Num dia você é criança, no outro tem 18 anos e, num piscar de olhos, já entrou na casa dos “enta” (40, 50, 60…). Para os seus pais, o tempo também passa voando: num dia eles são a única solução para os seus problemas (seja para curar um joelho ralado ou providenciar uma cartolina para o trabalho de escola), no outro todos vocês são adultos e, de repente, eles têm uma idade avançada e deixam de agir como antes. Meus pais sempre foram pessoas bem resolvidas, responsáveis e independentes, mas em determinado momento – que não consigo definir claramente – foram modificando a forma de agir, pensar, falar e até se movimentar. Nem melhor, nem pior, apenas diferente. Desde então, passei a observar os comportamentos e perceber o que estava por trás de cada palavra, das expressões fisionômicas e também do silêncio. De alguma forma, eles estavam mais vulneráveis em situações que antes eram fortalezas.

Quando me dei conta disso, conversei com minha irmã mais velha, Cassia. Perguntei se existia algum cursinho para os filhos aprenderem a lidar com os “novos pais”, agora idosos. Ela disse que desconhecia, mas que a convivência diária poderia ser excelente escola. Foi mesmo! E continua sendo! A cada dia descubro algo novo, como uma mãe de primeira viagem que descobre a cada instante uma habilidade do seu filho pequeno. Tenho uma família grande, cheia de tios e primos. Alguns já retornaram ao mundo espiritual, inclusive precocemente, mas a maioria dos familiares que já faleceram tinha uma idade mais avançada; e outros tantos continuam vivos, com o tempo passando. Todos nós somos as mesmas pessoas, mas as experiências da vida vão adicionando novos hábitos e reforçando velhas manias. Soma-se a isso as mudanças do corpo físico, as lembranças, as perdas, os sucessos. Nada disso é coisa sem importância, por isso fica em cada um e faz parte da história pessoal. Mesmo sem conviver diariamente com os tios e primos idosos, é preciso aprender a lidar com eles também, para continuar a viver em família de forma salutar e harmoniosa.

 (Trecho extraído da edição de agosto de 2022 da Revista Mulher Feliz; autora: Preletora da Sede Internacional Daniela Cristina Seghessi).

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