Construção de uma Nova Civilização

Iniciamos, neste mês, uma série de artigos abordando a maneira pela qual a Seicho-No-Ie se posiciona perante os desafios enfrentados pelo ser humano no século 21.

Desafios representam, ao mesmo tempo, riscos e grandes oportunidades. Tornam-se oportunidades quando renovamos as respostas que foram adequadas ao século passado, mas que não nos servem mais.

Precisamos promover novos valores, mudar a leitura que temos de nós mesmos e do mundo que nos cerca. Trata-se, assim, de construir uma nova civilização.

Mas que é civilização?

Existem várias definições de civilização. Tomamos aquela que nos parece ser mais útil no presente contexto. Samuel Huntington, um autor citado por nosso Supremo Presidente, esclarece que:

Civilização e cultura se referem, ambas, ao estilo de vida em geral de um povo, e uma civilização é uma cultura em escrita maior. As duas envolvem os valores, as normas, as instituições e os modos de pensar aos quais sucessivas gerações numa determinada sociedade atribuíram uma importância fundamental.*

Com essa definição, podemos notar com nitidez que a civilização na qual vivemos é predominantemente materialista. Pode-se afirmar que, no final do século 17, certos pensadores e cientistas promoveram uma reviravolta na maneira como se costumava perceber a realidade. René Descartes, Isaac Newton, John Locke e outros optaram por uma interpretação mais materialista, em detrimento das explicações mais espiritualistas que vinham sendo apresentadas pela Igreja. Preferiram apoiar-se na razão e na Matemática.

A Seicho-No-Ie entende que, no decorrer da História, há uma alternância entre as culturas materialista e espiritualista. A esse respeito, o prof. Masaharu Taniguchi ensina que a “cultura material floresce antes da espiritual, como base da estrutura fundamental da cultura, e é algo que deve ser corrigido, uma vez que essa cultura esteja solidamente assentada”.*

Nos últimos tempos, viemos enfatizando demais as características da civilização materialista, que, como dissemos, despontou no final do século 17. Em contraponto, o prof. Masanobu Taniguchi, atual Supremo Presidente da Seicho-No-Ie, revela as formas pelas quais as características de uma civilização espiritualista podem-se manifestar hodiernamente.

Com esse intuito, podemos explorar melhor as possibilidades do lado direito do cérebro, voltando-nos para a arte e a criatividade, em vez de ficarmos limitados às funções do lado esquerdo, que prestigia a lógica e a eficiência no trabalho.

Será que o índice geral de felicidade não aumentaria caso vivêssemos enfatizando mais as semelhanças entre os seres, do que continuar reconhecendo apenas as diferenças?

Por que permanecermos elegendo a eficiência como valor máximo a ser alcançado? Será que não existe valor na experiência, ou seja, nas nossas sensações, como no cheiro exalado pela natureza após um período de seca? Ou no apreciar de um belo pôr do sol? Ou nos sons da mata?

Temos realmente o direito de achar que só os seres humanos podem crescer e se desenvolver no planeta Terra? Se continuarmos a adotar uma visão excessivamente antropocêntrica, estaremos negando esses mesmos direitos a diversas outras espécies.

Especulações dessa ordem podem continuar indefinidamenteRepresentam as várias escolhas que temos no nosso viver diário. Entretanto, seja qual for a opção que preferirmos, as consequências no meio ambiente, na biodiversidade, no nível de consumo de energia e na qualidade de vida dos nossos descendentes serão inevitáveis.

Nos próximos artigos, essas dicotomias serão estudadas com maiores detalhes, trazendo inclusive as soluções que a Seicho-No-Ie vem indicando e aplicando como necessárias para a construção de uma Nova Civilização. O maior risco é permanecermos na inércia.

A tarefa pode parecer desmesurada, mas lembremo-nos de que o status quo existente deriva da ação dos homens. Então são os homens que podem modificá-lo, para que aqueles que nos seguirão encontrem um nível de paz, liberdade e segurança melhor do que a situação que temos hoje.

L* HUNTINGTON, Samuel P. O Choque de Civilizações. Rio de Janeiro: Objetiva, 1996, p. 46.

* TANIGUCHI, Masaharu. A Razão de Ser da Mulher. v.1. 3.ed. São Paulo: Seicho-No-Ie do Brasil, 2003, p. 43

Escrito por Comissão da Seção (Carlos Alberto da Silva, Marcos Rogério Silvestre Vaz Pinto, Milton Kazuo Norimatsu e Flávio Gottardo de Oliveira)

Publicado em: Revista Fonte de Luz – Ano LI – Nº547 – Agosto/2015 – pp. 24 – 25 – Seção: Construção de uma Nova Civilização