água manifestação da Vida de Deus

Água: Manifestação da Vida de Deus

Fonte de Luz, 547 - Setembro/2015

Para que possamos compreender claramente o ensinamento da Seicho-No-Ie é necessário que saibamos diferenciar a Imagem Verdadeira do fenômeno. E fazemos isso estudando sobre a verdade vertical e a verdade horizontal.

A verdade vertical é constante e imutável. Isto é a Imagem Verdadeira, que diz que tudo que existe é o que Deus criou; portanto, só existe a perfeição, tal qual descrita no primeiro capítulo do Gênesis: “E viu Deus que tudo quanto criara é bom”. No mundo da Imagem Verdadeira não existem o pecado, a doença nem a morte.

Através da verdade horizontal estudamos a lei mental, ou sobre o mundo fenomênico. Este é o mundo que conseguimos sentir por meio dos cinco sentidos: visão, audição, tato, olfato e paladar. Mas, por serem falhos, não conseguimos “ver” claramente o mundo da Imagem Verdadeira e somos por eles enganados.

Referimos ao mundo fenomênico também como um mundo inconstante e de projeção mental. Mudando a mente, mudam também o ambiente, a vida e a circunstância. Portanto, é um mundo transitório.

A base para a construção da nova civilização está justamente na compreensão dessas duas verdades. Quando se desconhece que o verdadeiro homem não é este corpo carnal, e, enganado pelos sentidos, o ser humano é levado a pensar erroneamente que se deve dar vazão descontrolada aos instintos carnais e com eles a satisfação de seus desejos imediatos, muitas vezes egoísticos.

Podemos considerar que, ao nascer neste planeta, fomos admitidos na “Escola Terra” e que o corpo carnal é o uniforme dessa escola. Assim como em todas as escolas existem provas, na “Escola Terra” também existem, e sermos admitidos é uma delas.

No livro Viver com Alegria, p. 17, o prof. Seicho Taniguchi nos ensina que “na ‘Escola Terra’, não cabe apenas às pessoas a função de ministrar ensinamento e disciplina. Animais, plantas e todos os seres que existem na natureza nos ensinam algo”.

A vida terrena é regida pela lei mental de causa e efeito, ou lei de ação e reação. Se causarmos danos às pessoas e aos animais, sofreremos danos na mesma proporção. No mesmo livro, na p. 19, o prof. Seicho Taniguchi nos alerta que “se continuarmos destruindo florestas e matando animais, chegará o dia da ‘prestação de contas’ e seremos agredidos pela própria natureza”.

Nesta e na próxima edição da Fonte de Luz, abordaremos um tema amplamente difundido e discutido na mídia de todo o Brasil e o qual já afeta diretamente milhões de brasileiros, que é a questão da escassez da água. Nelas analisaremos diversos dados oficiais, com os quais desejamos levar os leitores a uma profunda reflexão sobre de que maneira nossos hábitos diários influenciam ou não nessa situação dramática, e, naturalmente, como à luz do ensinamento da Seicho-No-Ie deveremos agir doravante. Então, vamos lá…

O desafio da gestão dos recursos hídricos e o problema dos lençóis freáticos em declínio no mundo

É provável que não haja hoje maior complicador para a paz mundial que estes três fatores juntos: a comida, a terra e a água.
Inúmeros estudos realizados ao longo dos últimos anos, por diferentes institutos e órgãos internacionais sobre os efeitos da mudança climática em decorrência do aquecimento global, apontam justamente para este fato, uma vez que a produção mundial de alimentos vem sofrendo com profundos desafios, que vão desde a instabilidade do tempo, passando pela diminuição dos lençóis freáticos, até a diminuição das terras agricultáveis.

Segundo estimativas publicadas na segunda parte do quinto relatório do Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (IPCC), no dia 31 de março de 2014, em Yokohama, no Japão, nenhuma nação ficará intocada pelo aquecimento global. [1]

O mesmo relatório também alerta para os efeitos que as mudanças climáticas teriam sobre os preços dos alimentos, bem como em muitas outras áreas, como recursos hídricos. A produtividade agrícola pode cair 2% por década até o final do século, ao passo que a demanda deverá aumentar 14% até 2050.

O presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, em uma entrevista ao britânico The Guardian , em 3 de abril de 2014, disse que acredita que as batalhas por alimento e água devem eclodir dentro de cinco a dez anos, devido ao efeitos das mudanças climáticas.

A matéria publicada no portal G1 da Globo.com, em 11 de setembro de 2012, e assinada pela repórter Thais Lobo, sob o título “Brasil exporta cerca de 112 trilhões de litros de água doce por ano”, ajuda-nos a compreender toda a complexidade que envolve a utilização dos recursos hídricos na produção mundial de alimentos e quanto esse recurso valioso e essencial à vida vem escasseando e provocando conflitos em várias regiões do mundo.

Segundo estimativas da ONU até 2025, cerca de dois terços da população mundial estarão carentes de recursos hídricos, sendo que cerca de 1,8 bilhão enfrentará severa escassez de água. Na metade do século, quando já seremos 9 bilhões de habitantes do mundo, 7 bilhões enfrentarão a falta do recurso em 60 países.

Hoje já é possível não apenas medir, mas também avaliar como se dá o consumo de água doce nas várias atividades humanas, desde as atividades diárias mais simples de um cidadão comum até a complexa cadeia de produção dos alimentos, da indústria e serviços em geral até que se chegue ao consumidor final, isso graças à metodologia da Pegada Hídrica.

O conceito de Pegada Hídrica

A Pegada Hídrica é um conceito cria­do em 2002 pelo prof. Arjen Y. Hoekstra, na época no Instituto de Estudos da Água da Unesco (hoje na Universidade de Twente nos Países Baixos), visando estimar o consumo de água doce em produtos e serviços, considerando o uso direto no processo de produção e o indireto nas várias etapas da cadeia de suprimentos. O método permite que as empresas, comunidades, países e até indivíduos calculem quanto de água consomem em determinadas atividades a partir dos dados de consumo de produtos e serviços.

Essa avaliação pode ser muito útil na tomada de decisões e também para embasar o esforço pelo uso inteligente de um recurso escasso, ameaçado pela poluição, desmatamento e aquecimento global. Desta forma, os segmentos da sociedade podem quantificar a sua contribuição para os conflitos de uso da água e degradação ambiental nas bacias hidrográficas em todo o mundo.

A alocação dos recursos hídricos: uma escolha política

O prof. Arjen Hoekstra afirma que “a alocação dos recursos hídricos, além de ambiental, é uma questão econômica, porque quando a água é escassa é preciso destiná-la para onde haverá maiores benefícios para a sociedade. Mas, sendo a água um bem público, o mercado não é o único determinante. A água deve ser usada para produzir alimentos para a população, para culturas ligadas a biocombustíveis ou para plantações de commodities para exportação? Isso é uma escolha política”.

Por exemplo, a China, que a partir de 2006 passou da condição de país exportador de grãos para país importador, visando claramente preservar os já afetados lençóis freáticos do país. Sobre esta situação, o sr. Lester Brown, em seu livro Eco Economia, apresenta os seguintes dados no mínimo preocupantes:

O mundo também caminha para um déficit hídrico. A extração excessiva de aquíferos, hoje comum em todos os continentes, vem causando quedas em lençóis freáticos, quando o bombeamento excede a capacidade de recarga pela precipitação atmosférica. Os problemas de irrigação são tão antigos quanto à própria irrigação, mas esta é uma nova ameaça, que evoluiu no último meio século com o advento de bombas a diesel e bombas elétricas potentes.  Os lençóis freáticos estão caindo sob extensas áreas nos três principais países produtores de alimentos – China, Índia e Estados Unidos. Sob a Planície Norte da China, responsável por 25% da safra chinesa de grãos, o lençol freático está se reduzindo a um ritmo de aproximadamente 1,5 metro ao ano. O mesmo ocorre em grande parte da Índia, particularmente a região do Punjab, o celeiro do país. Nos Estados Unidos, os lençóis freáticos estão encolhendo sob os estados produtores de grãos ao sul das Grandes Planícies, reduzindo a área irrigada.

Conceito de água virtual e exemplos de médias globais de Pegada Hídrica

A água virtual tem sido uma solução parcial para os problemas de escassez de água, cujo conceito fundamenta-se na importação que ocorre com os alimentos e produtos, tornando-se uma fonte de água alternativa.

Os estudos sobre água virtual começaram a crescer devido aos estudos quantitativos publicados por vários pesquisadores (Hoekstra & Hung, 2005; Hoekstra, 2011). Para Hoekstra & Chapagin (2008), a definição mais precisa sobre água virtual consiste na mensuração da água contida num produto, ou seja, numa mercadoria, bem ou serviço, em relação ao volume de água doce utilizada nas diversas fases de sua cadeia produtiva.

O termo água virtual refere-se ao fato de que a maioria da água utilizada na produção de um produto não está contida nele, sendo insignificante comparado ao conteúdo virtual da água.

Médias GLobais Pegada Hídrica

Arjen Hoekstra explica que é possível também calcular a Pegada Hídrica de um indivíduo, de acordo com o padrão de consumo que ele segue e a oferta de produtos que ele tem. Uma pessoa que adota dieta vegetariana, por exemplo, tem uma Pegada Hídrica 30% menor do que uma não vegetariana.

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