Educação da Vida: crescimento e desenvolvimento da criança

Olá, pessoal, sejam muito bem-vindos à Reunião da SEICHO-NO-IE DO BRASIL. Sejam bem-vindos à minha casa. Muito prazer! Para quem eu ainda não conheço, sou a Fernanda Negrão Chaves Caielli e é com muita alegria que recebo vocês aqui hoje, para conversarmos sobre um assunto que eu amo de paixão – que é a Educação da Vida.

Não sei se vocês já estão sabendo, as reuniões das quintas são promovidas pela Superintendência das Atividades dos Educadores da SEICHO-NO-IE DO BRASIL (no canal oficial da Seicho-No-Ie no YouTube). Temos como eixo principal falar sobre educação: educação sob a ótica da Seicho-No-Ie, a Educação da Vida.

Estou imensamente feliz com essa oportunidade de conversarmos um pouquinho hoje, e nosso tema é: Educação da Vida: O crescimento e o desenvolvimento da criança. Os livros textos que vão nos nortear durante o estudo de hoje são: “Ensinando e Disciplinando os Filhos”, do professor Keiyo Kanuma, que é um educador fantástico e nos traz relatos, estudos atuais e profundos. Ele relata que sofreu na infância, quando jovem, e por isso se dedicou à educação dos jovens, então é riquíssimo o estudo que o professor Kanuma faz. Hoje, vamos utilizar “Ensinando e disciplinando os filhos” e para complementar esse estudo, um livro da nossa querida preletora Kátia Metran Saita, que já se encontra no plano espiritual, mas deixou esse legado para nós através desse livro: “Vivências em educação”. Todos os livros vocês podem encontrar em www.livrariasni.org.br. Lá também tem uma variedade imensa de livros, inclusive sobre educação. Então, sejam bem-vindos, e vamos iniciar o nosso estudo, vivificar o nosso tempo, falando sobre educação.

Antes de entrar no tema propriamente dito – do desenvolvimento infantil – eu queria fazer um comentário com vocês. Essa semana estava conversando com um grupo de amigos, virtualmente claro, por causa da situação em que a gente se encontra hoje… (em 2020 houve um período de isolamento físico por conta do novo Coronavírus – COVID-19). Foi inevitável tal comentário. Aí, começou a ser um comentário mais acerca do comportamento das pessoas. Enquanto vemos muitas pessoas se solidarizando, se mobilizando pra ajudar os outros, pessoas fazendo de tudo pra serem úteis, nós também percebemos bastante pessoas que parecem estar negando o que está acontecendo, e não se solidarizam com a dor do outro, então começam a fazer festa, não respeitam muito o vizinho, os amigos, acabam às vezes se reunindo num grupo grande de pessoas, deixam de seguir algumas instruções de normas de segurança, deixam de colocar máscaras, não respeitam aquele distanciamento na fila, brigam no supermercado por um quer entrar sem máscara e não poder, causam até, certas vezes, um constrangimento.

Diante desse comportamento, o comentário final do grupo foi: “falta educação”. E que educação é essa que falta, que estamos falando, que o grupo comentou? Na verdade, acho que é falta empatia. Falta se colocar no lugar do outro. Quando é que a gente aprende essa empatia, esse “se colocar no lugar do outro”, essa vontade de ser útil? Preferencialmente na infância. Então é por isso que tantos livros falam da importância da educação; na Seicho-No-Ie não seria diferente. A gente usa o termo “Educação da Vida”, Educação do filho de Deus” já afirmando categoricamente que todos possuem dentro de si a capacidade de serem filhos de Deus, os atributos de Deus, mas de forma latente, em forma de potencialidade; ela precisa ser extraída, precisa ser manifestada. E é nesta troca com o meio que essa capacidade vai sendo extraída para se manifestar, para se expressar.

Aí tem o papel fundamental dos educadores, dos pais, para que esse filho de Deus em potencial se manifeste. Então quando a gente diz “falta educação”, falta essa educação com as palavras do professor Kanuma, a educação correta, de valores. O professor Kanuma diz que existem duas ações que norteiam o modo de educar e, se essas ações forem tomadas, a criança será feliz e será um adulto feliz. Olha que interessante. Então ele diz que a primeira ação é disciplinar da maneira correta e a segunda é educar de maneira a estimular o dom, o talento, a capacidade latente da criança. E a gente, enquanto educador, enquanto mãe e pai, deve estar pensando “que disciplina? Qual será essa maneira correta? Será que estou fazendo da maneira correta? Felizmente ele vai aqui discorrendo, conversando com a gente para podermos nos identificar e entender essa correta maneira de educar.

Para termos o conhecimento dessa disciplina correta, é importante compreendermos os nossos sentimentos, mas principalmente os sentimentos das crianças, perceber o que a criança está apresentando à nossa frente, como ela está se sentindo e que pensamentos e sentimentos temos em relação àquilo que está sendo apresentado. Quais são as nossas expectativas? Qual é a nossa visão de educação? Por exemplo, se eu perguntar para vocês agora: o que é uma criança bem-educada? Será que é uma criança quietinha, uma criança obediente, no sentido de que tudo o que pedimos, ela faz, ela concorda? Será que é uma criança que se coloca? Pense bem; vamos ver aqui ao longo do nosso estudo se é isso mesmo, porque talvez seja essa a nossa expectativa.

No nosso imaginário talvez seja isso o que temos como referência do que é uma criança bem-educada. Será que, de repente, isso não é apego aos nossos próprios padrões, apego ao que é correto? O professor Kanuma já começa levando a esse tipo de reflexão. E diz assim: “A educação dos filhos é, portanto, a educação dos pais”. O mesmo podemos dizer na relação do professor com o aluno – é uma via de mão dupla-, a gente ensina, mas também aprendemos muito. Os alunos são nossos mestres, nossos filhos são nossos mestres; nós temos muito a aprender.

No Ciclo de Estudos da Educação da Vida, começamos pela reeducação do adulto, pela nossa própria reeducação, para depois educar o outro. É esse olhar para dentro, para depois educarmos o próximo. Isso começa com o entendimento dos nossos sentimentos, nossa expectativa com relação aos nossos filhos, aos nossos adultos, ao que a gente pensa até sobre educação e sobre, consequentemente, sobre a felicidade dos nossos filhos, que está diretamente ligada à felicidade dos pais.

Quando os pais estão felizes, os filhos também estão felizes, mas não porque estão ganhando coisas materiais. Não estamos falando da matéria, felizes por terem tudo que os cerca, felizes no sentido do mimar. Hoje vemos, de certa maneira – não sei nem se existe essa palavra – um “filhocentrismo”, tudo gerando em volta do filho. A gente chega na casa, a criança está brincando na sala. Ao invés de a criança sair para o adulto ficar ali conversando, às vezes temos que pedir licença para criança. “Ah não, ele está jogando”, e fica ali atrapalhando a reunião de adultos. Então nos perguntamos: “será que não estamos invertendo, obedecendo a criança, consultando a agenda da criança, consultando se ela quer ir? ”

Claro que temos que considerar o sentimento, a opinião, mas não fazer só o mundo girar em torno do filho, pois dá no que já estamos vendo: pessoas sem se colocarem no lugar do outro, sem habilidade de lidar com limites, com adversidades, sofrendo quando recebem o primeiro “não”, que acontece na vida, quando na adolescência que vão namorar e se sentem rejeitados por não saberem o que fazer com isso, pois não aprenderam na infância a lidar com esses limites.

Então, essa disciplina que o professor Kanuma fala da “felicidade dos pais, da felicidade dos filhos, é o que o professor Masaharu Taniguchi trazia como “equilíbrio do açúcar e do sal”, ou “do sal com o açúcar”, do equilíbrio do amor com a sabedoria. Do aconchego da compreensão dos sentimentos, mas com os limites. Por isso que, talvez se a gente entender um pouquinho de cada fase de desenvolvimento, isso nos ajude colocar esses limites, e entender o que a criança está manifestando naquele momento. Quando, então, a gente começa a educação da criança, dos nossos filhos? O que vocês acham? Vamos ver o que o professor Kanuma diz pra gente, e a preletora Kátia Metran Saita diz aqui na página 41: inicia no momento em que a mãe descobre que está gravida.

A preletora Kátia coloca até mesmo antes da gestação. Quando a mulher já sonha em ser mãe, já começa esse processo de educação, porque é aí que a começamos a pensar nas nossas expectativas e no que esperamos, no que vamos oferecer para nossos filhos. Então, descobriu que está grávida, imaginou ser mãe, já tem que envolver numa vibração de amor, porque o filho já começa a receber – não só da mãe, mas do pai e dos familiares.

O professor Kanuma usa um termo tão bonito: “é preciso que os pais bendigam a gravidez, bendigam a chegada daquele filho”, quer dizer, que acolham a chegada, porque ele já começa a sentir dali a própria vibração e ali começa o processo de educação. Então diz: “comece a direcionar boas palavras” (estou na página 38), “todas as vibrações do casal se refletem no feto, e ele virá ao mundo com essas gravações mentais, que serão as primeiras da sua mente consciente – pura e imaculada de até então. Desde o início da concepção, ele receberá influência daquele casal que escolheu para serem seus pais – a influência genética, psicológica, emocional e espiritual. São muito importantes dizeres do tipo: “meu filho, você é forte, saudável, perfeito, alegre, inteligente, harmonioso, amoroso…”, com as qualidades que você sentir que vierem no seu coração. “Obrigado Deus, obrigado antepassados, obrigado marido, obrigado meus pais…”; ir harmonizando esse ambiente.

É tão bonito o que a preletora fala, à página 41, do livro “Vivências em Educação”. É a influência da vibração dos pais já para aquela criança antes mesmo de ela ter nascido, então diz: “leia boas palavras, ouça boas músicas, converse com seu filho desde sempre, que essa a criança já vai recebendo dali essas palavras, esses sentimentos; esse acolhimento e esse direcionamento então nascendo.

Quando o bebê nasce, ele já é guiado pela sabedoria inata, pela sabedoria divina. A gente não precisa falar: “desenvolva, olho; desenvolva, ouvido, desenvolva…”; isso é natural. A nossa parte de direcionar e acolher, o professor Kanuma faz uma fala interessante que está na página 149 do livro, a respeito do choro do bebê. O que ele fala é óbvio, mas que a gente, como mãe, acaba ignorando. Ele fala que é o jeito de o bebê se comunicar. O bebê vai chorar, até para entender, para ele conhecer a sua própria voz, então é importante que a mente da mãe e dos familiares estejam calmas para perceber e discernir esse choro: é um choro de dor, alerta; vamos ver o que está acontecendo; às vezes é uma fralda que está molhada, o bebê está incomodado; é um choro de fome, então está na hora de amamentar, vamos dar de comer para o bebê. Mas não se desespere por qualquer choro, não pegue a criança correndo a qualquer choro, para ir disciplinando a criança, para não mimar demais e nem negligenciar demais.

Ele fala que os extremos são ruins: deixar a criança chorando por muito tempo só porque dizemos que é mimo. Ele diz que tem gente que fala foi de propósito: “foi só eu me deitar, foi só eu sentar para comer e a criança começou a chorar, parece que faz de propósito”; o bebezinho recém-nascido não; ele nem percebe que existe o mundo à sua volta. O bebê vai se expressando mesmo, então é importante primeiro se acalmar e conhecer o que esse choro quer dizer. Interessante né? A gente sabe, é o obvio, mas é importante a gente refletir sobre isso.

E no primeiro ano de vida, o desenvolvimento da criança é absurdo, é fantástico. As sinapses que vão sendo formadas, os neurônios que vão sendo conectados, podemos fazer uma comparação com uma cidade, no finalzinho da tarde, quando começa a acender uma luz ou outra; vemos uma luz aqui, outra luz ali, são as conexões que a criança está fazendo. De repente anoitece e acende tudo; essa é a beleza do desenvolvimento nessa fase. É importante que estimulemos a fala, ir conversando; tem muita gente que diz: “ah, mas o bebê não entende o que está falando. No início ele entende o tom de voz, falarmos com tom de voz calmo, sereno, suave; aos poucos ele vai se apropriando do vocabulário. Durante esse primeiro ano de vida até os dois anos, ele vai construindo esse vocabulário, assim como vai se conectando com as emoções.

Podemos então nomear as emoções: “tudo bem, você está irritado agora, mas eu já estou te trocando; tudo bem, já entendi, você está com fome, só um momentinho, você já vai comer”. Ao nomear o que a criança está sentindo, ela vai crescendo, aprendendo a também a discernir suas próprias emoções. Um ano, também por volta desse período, que fantástico, a criança engatinha, começa a se equilibrar, para até às vezes com um ano para começar a andar. Tem todo um desenvolvimento motor aí, também maravilhoso, e vai percebendo o mundo através do tato. Põe a mão tudo e leva à boca, do tato pra boca, e ficamos um pouco desesperados, não querendo que a criança não coloque a mão na boca, principalmente nesse momento, mas é a primeira forma dela conhecer o mundo – depois isso vai mudando.

Durante esse primeiro ano de vida até os dois anos, ele vai construindo esse vocabulário, assim como vai se conectando com as emoções. Podemos então nomear as emoções: “tudo bem, você está irritado agora, mas eu já estou te trocando; tudo bem, já entendi, você está com fome, só um momentinho, você já vai comer”. Ao nomear o que a criança está sentindo, ela vai crescendo, aprendendo a também a discernir suas próprias emoções.

Com sabedoria, direcionar, para não incentivar demais e também não privar, não proibir, para não impedir, pois isso faz parte do desenvolvimento da criança. Na página 52 – depois vocês leiam com calma, que é uma leitura deliciosa -, diz que nessa fase do bebezinho ele nem percebe direito o mundo à sua volta. É chamado até de egocentrismo porque ele chora, ele incomoda mesmo, não tem a menor cerimônia em “atrapalhar” porque não percebe o outro. No primeiro para o segundo ano de vida, ele começa a entender que é separado do outro, que “eu sou eu e o outro é outro”. Com 2 anos, já começa a ganhar percepção. Essa independência com 2, 3 anos, a criança começa a perceber, mas ainda está focada nela. Que interessante; tem criança que já nasce assim, com uma bagagem empática, um pouco mais aguçada e talvez já esteja sendo direcionada corretamente, porque nós percebemos que a criança já começa a envolver o amiguinho. O amigo está chorando, ele vai lá: “não chora…”, isso no maternalzinho; enquanto tem outros que estão irritadíssimos com o amigo, tem aqueles que vão acolher; é uma gracinha, gente, já ir percebendo isso nas crianças; é muito fofo.

Então, eles começam a ganhar uma independência, porque estão inclusive caminhando, correndo, pegando tudo o que está ao seu alcance, e tem uma energia…. fantástico, né gente?!

Eu me recordo uma vez que me chamaram na escola, falando: “Fernanda, não sei o que acontece; a gente tem aqui uma sala hiperativa. O que vou fazer com essas crianças todas? Tenho 8 crianças hiperativas”. Falei: “Nossa, como assim? Deixa eu ver essa sala hiperativa, me fala um pouquinho mais. Quem são as crianças, me fala a idade”. Elas tinham cerca de 2 anos e meio, 3 anos. Falei: “gente, elas não são hiperativas, elas são crianças ativas! ”. Criança é energia, movimento. Agora vocês com os filhos em casa, percebam isso. A gente precisa deixar eles gastarem energia, colocar atividade física, porque eles estão desenvolvendo toda sua coordenação motora global, coordenação motora fina para escrever, e tem essa energia para brincar, para pular. Isso é pertinente, não dá para ficar quietinho, sentado o tempo todo. Nem você, professor, se tiver essa expectativa, me desculpe. Tem o momento de sentar, de contar história, mas vai ter o momento de brincar, correr, pular, porque criança tem essa energia toda.

Deixa eu voltar aqui para nosso livro. A preletora Kátia faz uma colocação também que eu achei bem especial com relação ao senso de responsabilidade e independência que começa a ser criado já nesse período. Quando a criança começa a sentir vontade e alegria em ajudar, mesmo você, professor, que ela pede: “deixa eu ajudar”; às vezes quer levar alguma coisa, quer ajudar o amiguinho, dar a mãozinha, é a necessidade de ser útil. Temos que incentivar a ajudar mesmo, porque depois vamos querer que seja um adulto empático lá na frente. Devemos deixar ele experimentar esse “ser útil” quando ele manifesta naturalmente essa vontade, que é inata, essa bondade que é inata da criança; temos que incentivar. Claro que esse ser útil, esse ajudar, de acordo com a possibilidade, com a idade, mas já ir inserindo, pois, a criança fica muito feliz. Ela descobre ali a alegria de ser útil.

Então consta aqui que o professor Masaharu Taniguchi nos diz que a criança sente prazer e alegria em ajudar os outros, e esse egoísmo, aos poucos, começa a desaparecer. Com esta atitude mental, os pais acabam formando a boa personalidade da criança, pois é nesse período que se completa essa formação da personalidade, essa percepção de ser útil (página 53). Que importante; então vamos lá.

Nessa fase ainda de 3, 4 anos, a gente sempre tem essa medida mais flexível, mas vocês vão perceber a fase dos “porquês”; toda criança quer saber os porquês, tem aquela curiosidade natural. É importante que conversemos com a criança, deixar a ela perguntar, e responder, mas aquilo que é estritamente necessário. Não precisa ter uma explicação gigantesca, mas incentivar que ela continue admirada pelos fenômenos, já começar a relacionar os fenômenos da natureza com a presença de uma vida maior, com a presença de Deus, já percebendo essa espiritualidade e deixar a criança manifestar ali a sua potencialidade de observador, de criativo, de inovador.

Ela vai se libertando desse egocentrismo e vai percebendo as coisas à sua volta. Também é muito importante a gente cuidar das palavras, das histórias que as crianças gostam tanto. Elas são influenciadas por essas histórias, se identificam com a fala dos animais, com os personagens.

É bom que a gente faça uma boa seleção do que as crianças estão assistindo, das histórias que elas estão ouvindo, pois ela vai já assimilando aquilo tudo. Estou falando bem resumido, e vocês, por favor, leiam na íntegra; entramos na fase dos seus 4 a 6 anos, onde ela já domina o vocabulário, já fala – e geralmente gosta de falar -, então meu amigo educador, você sabe que se sua sala tiver muito quietinha e suas crianças têm essa faixa etária, alguma coisa está errada; estamos inibindo a criança, talvez a gente tenha que adequar o momento de falar, ou melhor, alguns momentos para escutar, porque é uma idade ruidosa, vamos assim dizer.

Elas falam muito, gostam de contar histórias, gostam dos heróis, gostam ainda mais dos fenômenos da natureza. O professor Keiyo Kanuma, na página 162, faz uma reflexão. Ele pontua que já relacionemos com Deus, mas veja como você vai apresentar Deus para seu filho. Ele fala que se uma criança ouve desde pequenas histórias terríveis sobre o inferno, passará a sentir inquietação no futuro. Caso não venha a conhecer uma religião verdadeira, provavelmente será atormentado por essa inquietação a vida inteira.

Jamais devemos usar o nome e Deus como instrumento ameaçador e sermões; ao invés disso, devemos enfatizar constantemente que Deus é amor, é fonte de felicidade, é força criadora, é leal, é alegria suprema, enfim, é origem de tudo que é bom. Esse é o conceito de Deus que devemos transmitir à criança. Olha que reflexão importante, a criança cresce segura, amando e respeitando a Deus, não se sentindo tolhida ou ameaçada. Ele diz aqui: “pais, conversem muito com os seus filhos, deixem seus filhos descobrirem o mundo fazendo experimentos, observem seus interesses, suas brincadeiras, estimulem o dom natural e a aptidão.”

Incentivar a imaginação que a criatividade ao invés de tolher. Toda criança se tornará talentosa se os pais e educadores descobrirem sinais do despontar da capacidade latente e se empenharem em desenvolvê-la da maneira correta. Quando a criança dá asas à imaginação e tende a ver coisas irreais como se fossem reais, os adultos acham que ela é mentirosa. No entanto, para a criança, as cenas que provou na imaginação são tão reais que elas não são mentiras, faz parte do imaginário infantil.

Então é importante que nós adultos saibamos lidar com esse universo da criança, não tolhamos a criança. Eu sempre me lembro da história de Santos Dumont que li uma vez sobre a perspectiva da mãe dele: ele adorava subir nas árvores, e quando a mãe falava “desce daí menino, o que você está fazendo aí? ”. Ele falava: “tô observando os pássaros porque eu quero voar com eles. O que essa mãe fez? Construiu uma casa na árvore para que ele observasse os pássaros. Ela não falou “imagina, ninguém voa, homem não voa”; ela só cuidou para que ele fizesse isso; mais futuramente, a gente já conhece a história, foi criado o avião que possibilita a gente ir “pra lá e pra cá”, através dessa imaginação criadora.

Olha a importância dos educadores nesse momento. Assim terminamos a primeira infância, que é uma fase extremamente importante para o desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças. Então inicia o momento que já temos que começar a mostrar as coisas que não são permitidas e as coisas que não são toleráveis, definindo regras básicas de obediência, mostrando os limites, dando certa liberdade.

Já com 7 anos, a criança já tem mais autonomia, já se interessa por jogos coletivos, começa a entender regras. Quando ela começa a fazer jogos com regras, já começamos a perceber o modo ainda às vezes egocêntrico, quando ela quer dar um jeitinho de burlar as regras e o momento em que ela aceita, pois vai percebendo que só assim pode participar. É importante o nosso incentivo nesse momento, deixar que a criança se vire um pouco mais, não tentar resolver por ela, não tirar as satisfações por ela. A gente deixa ela ir se resolvendo, e uma dica interessante do professor Kanuma é: não imponha; conduza e argumente. Às vezes, a criança se torna realista, então, ela pode se recusar a obedecer e tenta se rebelar.

Ao mesmo tempo os pais podem entender isso como uma desobediência, mas é aí que desponta a ousadia e a coragem, que pode parecer uma teimosia ou rebeldia. O professor fala pra gente: “conduza com habilidade, converse com seu filho”. É um desafio para nós acharmos essa medida, mas é possível. A preletora Kátia já nos faz um alerta; existem tantas crianças irritadiças hoje, ela relaciona falando para nós da agenda com excessos de atividades.

Página 66, fala que às vezes, na tentativa de desenvolver ao máximo o potencial dos seus filhos, os pais montam uma agenda repleta de compromissos e acabam sobrecarregando as crianças. Manifestar o potencial, o dom, não significa sobrecarregar a criança; significa a gente observar, conversar bastante, perceber o que a criança gosta, com o que ela se identifica mais, quais atividades que ela gosta de fazer e brincar. É na brincadeira que as crianças exercem os papeis, experimenta, ser mãe, ser pai, ser professor; se a gente lota a vida da criança e impede até que ela brique, estamos interferindo nesse desenvolvimento, não só da coordenação, mas o desenvolvimento emocional e psíquico. O professor Kanuma até fala pra gente: “pais, não se apeguem ao seu padrão de educação”; está na página. “Os pais não devem tentar moldar os filhos a um determinado padrão que eles querem, valendo-se da sua autoridade. Pode ser que o filho se amolde a esse padrão temporariamente, porém uma criança constantemente reprimida, às vezes pensa que seria bom se os pais nem existissem. Mais tarde, advertida pela própria consciência, ela compreende que é errado ter esse sentimento e procura reprimi-lo, porém, essa revolta fica represada nela mesma e volta a se manifestar na juventude”. Aqui está o alerta para nossa própria reflexão.

Não tente amoldar a criança, respeite a sua liberdade, respeite o dom, converse desde cedo, reconhecendo as qualidades, e elogie. Terminada essa fase toda da primeira infância, que é riquíssima, a gente já entra na segunda infância a partir dos 8 anos, até a pré-adolescência, onde a gente tem que trabalhar ainda mais essa autonomia, dar uma certa liberdade, deixar que a criança tome certas decisões – não as decisões da casa, mas as suas escolhas, lidando com as consequências dessas escolhas. Esse é o não amoldar.

É preciso que a gente vá soltando aos poucos. Às vezes, as crianças não verbalizam, mas elas se orgulham dos pais, orgulham-se dos professores; têm os pais e os professores como referência, como modelo. É muito importante que reconheçamos as virtudes das crianças e as elogiemos para direcionar elas em direção à luz.

Livro da preletora Kátia, página 71: “a criança, nessa faixa etária, embora não demonstre, tem orgulho dos pais, ama-os muito e quer ser reconhecida e elogiada por eles, portanto, é muito importante observar a qualidade dos filhos, mesmo que isso demande uma observação atenta no dia a dia. E, assim que vir um ponto que mereça ser elogiado, por mais simples que seja, faça-o com toda a sinceridade e empolgação, para que a criança sinta que realmente tem qualidades e cresça nessa direção com autoconfiança e elevada autoestima.”

Profundo, mas é possível; é só estarmos conectados com nossos filhos que vamos percebendo aquilo que de fato tem que ser elogiado. Isso que é o direcionar a criança em direção à luz, mostrando para ele que siga naquela direção que está sendo apresentada.

Chegamos na adolescência; é riquíssimo e dá um outro estudo, mas é fantástica. Uma época de movimentos, de inquietações, uma época fantástica também. O professor Kanuma chama essa fase de “desmame psicológico”, que é sair desse mundo juvenil e entrar nesse mundo mais adulto, mas podendo contar com os pais, se sentindo apoiados pelos pais.

Muitas vezes os pais, por terem impressão que os filhos estão se afastando quando eles começam a querer se impor, mostrar sua persona, não sabem lidar com o filho nesse momento. Dava para fazer outras palestras, mas a mensagem é: fique próximo, se mostre presente e aberto para perceber e escutar os sentimentos, dar uma educação de valores, como diz o professor Kanuma.

Cada fase é um aprendizado importante. Cada fase tem sua peculiaridade, é uma delícia, e dentro dessas fases, cada criança vai reagir de um jeito, vai crescendo e vai se mostrando. Ao mesmo tempo é uma delícia e um desafio, mas se nós formos incumbidos dessa missão, os filhos são dádivas que a gente recebe de Deus para cuidar, conduzir e soltar. Educar é confiar na criação de Deus. Com as virtudes práticas. Que virtudes são essas? A confiança, o amor e o elogio. Assim podemos confiar. “Ah, preletora, eu não sabia disso antes, meu filho já cresceu”.

O momento da educação é o agora. Agora que você tomou contato com essa educação, que você olhou para você; é o momento de você assumir as rédeas dessa educação, de se conectar com seu filho não importa idade dele. É hora de enxergá-lo como filho Deus, como uma dádiva que Deus colocou na sua vida para que você conduza. E você, meu amigo educador, professor, que veja em cada aluno também esse filho de Deus que está ali para que você aprenda com ele e ele aprenda com você. Aproveite esta oportunidade.

Então, termino aqui o nosso estudo, agradecendo a presença de vocês, agradecendo esta oportunidade maravilhosa. Muito obrigada!

Estudo realizado por Fernanda Negrão Chaves Caielli

Transcrição da Reunião Virtual sobre Educação transmitida no dia 23/07/2020 pelo canal do YouTube da SEICHO-NO-IE DO BRASIL