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PROJETO EDUCAÇÃO DA VIDA – DIÁRIO DE ELOGIOS: CAMINHO PARA O SUCESSO DA APRENDIZAGEM

 

1. DESCRIÇÃO

Proponente/Executor
Profª/Prelª Maria Aparecida Saegusa Oliveira
Equipe de trabalho:
Prof. Carlos Henrique Magri (Diretor)
Prof. Neméis de Souza (Coordenador)
Profª Sueli Molina Costa (colega de trabalho)
População alvo:
Alunos da 1ª Série do Col. Int. Santa Edwiges/alunos da 2ª Série da EE Prof. Octacílio Alves de Almeida
PERÍODO: ano letivo de 2007
LOCAL: Col. Int. Santa Edwiges/ EE Prof. Octacílio Alves de Almeida – São José do Rio Preto/SP

 

2. APRESENTAÇÃO/JUSTIFICATIVA

O presente trabalho, uma pesquisa de campo, será desenvolvido pela visão da filosofia espiritual Seicho-No-Ie, segundo as orientações que está dá sobre como educar pelo método “Educação da Vida”. É uma pesquisa que visa, no seu todo, contribuir com as leis que regem a Educação e que prevêem sempre a sua qualidade em conteúdo e prestação de serviços, conforme constam os termos da lei:

Cabe ao Conselho Estadual de Educação, pela Lei Federal nº 9.394/96, tecer considerações e oferecer orientações que assegurem os direitos constitucionais da população deste Estado.

As escolas integrantes do Sistema Estadual de Ensino devem concentrar seus esforços no sentido de:

  • Zelar por medidas que assegurem o acesso ao saber a todos os alunos.
  • Buscar encontrar metodologias de ensino e recursos diferenciados que assegurem a todos os alunos êxito no processo ensino-aprendizagem, na tarefa de se atingirem os objetivos curriculares.
  • A ação pedagógica deve ter como objetivo a formação da cidadania e o enfrentamento e superação de conflitos, com o resgate de valores de solidariedade, de respeito recíproco, retomando os princípios do Estatuto da Criança e do Adolescente ( Lei nº 8069/90).
  • Envolver a família no trabalho escolar, troca de opiniões como passar a estimular seus filhos nas tarefas escolares.
  • Garantir a participação da comunidade escolar: Professores, alunos, especialistas, pais, nos processos avaliativos é o elemento básico no projeto pedagógico das escolas.

A pesquisa será realizada com alunos da Alunos da 1ª Série do Col. Int. Santa Edwiges/alunos da 2ª Série da EE Prof. Octacílio Alves de Almeida, da São José do Rio Preto/SP, no ano letivo de 2007. É interessante ressaltar que se trata, a primeira, de uma escola particular, e a outra, pública, o que dará condições de constatar dados importantes para a pesquisa, como a diferente realidade do comportamento dos pais cujos filhos as freqüentam, dados que venho observando há algum tempo: a escola pública apresenta mais interesse, envolvimento, presteza no atendimento às solicitações, tempo disponível, participação nos encontros, dedicação, alcance dos objetivos e menor nível de carência dos alunos em relação à afetividade. Os pais das escolas particulares não têm tempo para os filhos, recomendam-nos aos Professores, monitoram-nos pelos celulares.

 Além dessas questões, um outro problema sério que a escola enfrenta é o de que, antes, havia salas especiais nas escolas, para alunos que tinham dificuldades de aprendizagem. Não era permitido que eles ficassem nas salas regulares. Alunos portadores de necessidades especiais eram encaminhados para as escolas especiais, como as APAES.

Hoje, houve uma alteração da legislação que prevê a inclusão social. Nesse caso, esses alunos que iam para salas e escolas especiais, foram para as classes regulares. Mas isso provocou um transtorno nas escolas que, de mãos atadas pela lei, teve que aceitar essa situação, sem o devido preparo do profissional dos Professores, que tem que lidar com salas numerosas, diferenças individuais que dizem respeito não só às questões de aprendizagem, mas também com às limitações físicas e mentais dos alunos. Os Professores estavam habituados a lidar com uma clientela mais ou menos homogênea, ficando as diferenças em torno da classe social, das limitações de leitura e escrita.

Quanto aos alunos, eles próprios se sentem excluídos, por não acreditarem em sua própria capacidade, por observarem que os colegas sabem e eles não, o que faz com que percam a auto-estima, adotando mecanismos de defesa que compensem isso, como a recusa de fazer as atividades, atrapalham os colegas com barulhos, conversas, brigas etc.

Para conscientizar e capacitar o Professor para trabalhar com essa nova realidade, os órgãos responsáveis pela educação pública se preocupam em ministrar cursos periódicos, mas esses são limitados em seu alcance, não chegando a capacitar realmente o Professor, haja vista que um Professor da APAE, por exemplo, leva anos para se especializar. Além disso, falta interesse desse Professor e do Professor de todos os alunos de modo geral, em mudar sua maneira de pensar, de mudar sua prática de perceber que está tratando com seres que estão em construção. Seres que, independente da sua condição física, sempre têm condições de melhorar, de despertar a capacidade com que foi dotado.

No momento em que o Professor se conscientiza desses valores, primeiro em relação a si mesmo, depois em relação aos alunos, começa a se interessar em buscar teoria, técnicas que o auxiliem em suas práticas diárias.

Refletindo sobre essas questões, e pensando na importância dessa consciência, buscamos uma teoria que nos desse respaldo para desenvolver o trabalho de alfabetização com as referidas classes e encontramos na filosofia Seicho-No-Ie obras que orientam Professores e pais, por meio do método intitulado “Educação da Vida”.

Dentre as orientações práticas desse método, aprendemos a técnica do “Diário do Elogio”, que consiste em elogiar as crianças para estimular-lhe a capacidade, a coragem, a persistência, a auto-estima.

Pelos vários relatos de pais, Professores, que usaram essa técnica e mesmo tendo-a usado em sala de aula esporadicamente, pudemos constatar a sua grande eficácia, observada na mudança do comportamento e despertar da capacidade e interesse de alunos e pais. Assim, entendemos que esse método poderá contribuir grandemente com o conhecimento científico, com o sucesso da escola, se for colocado em prática sistematicamente, por meio de projeto e comprovado por meio de dados coletados e registrados  (não apenas orais).

Como se trata de um trabalho que necessita de poucos recursos, não necessitará de apoio financeiro.

 

3. HIPÓTESE

Por meio da aplicação do método “Educação da Vida”, será possível que Professores, pais, alunos conheçam e desenvolvam o próprio potencial, acreditem nele, componham a sua auto-estima de modo socialmente construtivo.

 

4. OBJETIVOS

  • Oferecer recursos, apoio intenso e contínuo, no processo de ensino e aprendizagem, aos alunos com necessidades educacionais especiais, educação inclusiva, e a todos os demais alunos para que alcancem sucesso pessoal, escolar, familiar, social.
  • Contribuir com a qualidade do trabalho escolar e desenvolvimento de uma prática pedagógica eficiente e de qualidade, que sirva de exemplo para outros Professores/escolas.
  • Contribuir, pela aplicação do método “Educação da Vida”, com a divulgação da filosofia Seicho-No-Ie no segmento escolar, cumprindo o propósito dela de conscientizar todas as pessoas, de modo definitivo, a Verdade Homem-Filho de Deus, para que se estabeleça a harmonia na face da terra.

 

5. CONTEÚDO

Método “Educação da vida”, no aspecto educação pelo elogio, segundo a obra A Pedagogia da Seicho-No-Ie, de autoria de Masaharu Taniguchi.

 

6. PROCEDIMENTOS

No início do ano letivo, é entregue a cada aluno:

  • um caderno encapado contendo uma “Oração para abençoar o filho” no verso da capa e um elogio da Professora (mesmo sem conhecer o aluno). Por ex.: “Seja bem vindo, _______ (nome completo). A Professora ama você. Você faz parte do tesouro da nossa sala, você é importante nesta sala etc etc”.
  • é enviado um bilhete aos pais para que os mesmos coloquem uma foto bem alegre do filho na 1ª página, com o nome completo dele e dos pais, com a seguinte inscrição: “Este caderno pertence ao filho mais maravilhoso do mundo”. Também é explicado aos pais, neste bilhete, que este caderno faz parte do trabalho da Professora e que terá a participação deles elogiando seus filhos diariamente.

Obs.: este caderno deverá ser trazido todos os dias, pelo aluno, com o elogio dos pais. Todos os dias a Professora passa visto nesse caderno.

Os pais que, por motivo de falta de tempo ou outro, não escreve os elogios, recebe um cartão vermelho, contendo, de modo bem educado, os dizeres: “Prezado Pai: eu acredito na capacidade do seu filho. Elogiar é acreditar nessa capacidade. Por isso, conto com vocês com os elogios diários”. Ou: “pai, eu não estou contando com sua colaboração. Portanto, esse cartão é um meio de lembra-lo para que vc participe em nosso trabalho de elogiar e ajudar o seu filho a manifestar toda a capacidade que ele possui”. Ao receber o cartão, o pai já sabe que deve aparecer na escola. É um tipo de intimação. Geralmente os pais recebem uma vez só. Eles não querem mais receber. E também, não é mais mandado, pois há outras formas de pedir essa participação. No cartão também vai uma mensagem retirada dos livros do Mestre. É importante que os pais participem. A criança mesmo fica com vergonha, tristes, quando os pais não escrevem, e felizes quando eles fazem isso.

  • No início da aula, um aluno – o ajudante do dia-, recolhe os cadernos e os deixam sobre a mesa dos professores. A aula começa com a oração:

“Agradecemos a Deus pelos nossos pais, pelos nossos irmãos, pelo sol, pelo vento, pela chuva. Temos certeza que o dia de hoje será maravilhoso! Agradecemos a Deus por todas as pessoas que trabalham em nossa escola. Muito obrigado”.

Em seguida, as palavras positivas:

 “Eu faço! Eu posso! Eu consigo! Tudo consigo fazer, porque tenho capacidade infinita! Sou filho de Deus! Muito obrigado!”

( OBS: Um dia, um padre que estava trazendo um aluno da sala, seu afilhado, e ficou encantado com esse modo de iniciar a aula, e disse: “Louvado seja essa professora abençoada! Eu nunca tinha visto uma professora começar a aula dessa maneira, com essa alegria!  Nossa, aqui está tão gostoso (as crianças estavam rindo). Posso ficar aqui? E ficou ali  por algum tempo. A Professora explicou o trabalho que fazia. Ele ficou muito feliz e disse que o afilhado ficava feliz em vir para a escola e a mãe dele dizia que ele estava cada vez melhor.)

  •  Após, a Professora dá início à aula e, à medida que vai tendo tempo, pega cada caderno, lê o elogio que os pais fizeram, passa visto, dá parabéns, escreve um elogio para os pais  - “Parabéns, Papai! Vc realmente acredita no seu filho maravilhoso!!  (um modo de incentivar a participação deles). Em seguida, escreve um elogio para a criança,  chama-a e o lê para ela, dizendo:

– Esse aqui é o elogio que a professora fez para você, hoje. Você gostaria de lê-lo? (para os que estão alfabetizados). Alguns lêem para a sala. Nesse momento, entrega a eles o caderno, que eles levam para casa.

  • Nesse caderno também é dada uma tarefa (nem todos os dias), quando está ocorrendo alguma dificuldade, que o aluno faz na sala mesmo. Ex: escrever muitas vezes – “eu sou um aluno calmo, só dou alegria aos meus pais”. Ao terminar essa atividade, o aluno pergunta se pode levar o caderno para dar os parabéns (que eles adoram). A Professora concorda e olha o caderno, dá visto e parabéns. As crianças adoram fazer isso.
  • Geralmente, as mães também escrevem elogios para a Professora, e as crianças ficam felizes com isso.
  • No dia-a-dia, é só acreditar, que as coisas acontecem. Não é perda de tempo. Qualquer criança pode manifestar o que tem com o poder da palavra. Parece tão simples que as pessoas nem acreditam, mas realmente acontece. Se as pessoas que lidam com crianças não acreditam, o trabalho não tem efeito. Antes do diário do elogio, é preciso acreditar, ver a criança com olhos de Deus.

 

7. ANEXOS

RELATOS: “A importância da prática do Diário de Elogios na sala de aula”

1. “Sou Maria Aparecida Saegusa Oliveira, Professora do Ensino Fundamental. Estou desenvolvendo um projeto com o Diário de Elogios com a participação dos pais: eles devem escrever todos os dias elogios para os filhos nos cadernos que cada um tem para essa finalidade e eu verifico essa tarefa dos pais e faço elogios nesses cadernos também todos os dias.

Um dos meus relatos é sobre um aluno da 1ª série que recebi em agosto/2007. Em seus cadernos estavam as observações da professora: “Não faz!”, “Não consegue!”, “Não sabe fazer!”. Iniciei o diário de elogios com esse aluno, conversando com ele diariamente, incentivando-o com palavras como “Você é maravilhoso! Está cada vez melhor!”

Hoje este aluno já tem o domínio das sílabas simples. Já conhece o alfabeto. Está feliz, amando a escola!

Graças a Deus, está mostrando aqui que já tinha, desde o início, a grande capacidade de Filho de Deus. Muito obrigada.”

 

2. Uma mãe “crica”, dessas que acham que o filho é bonzinho e os demais são ruins, sempre criava caso na escola. Ela o transferiu da tarde para o período da manhã, porque a Professora reclamou dele, porque ele não parava quieto, mexia com os colegas, não terminava as atividades para ficar brincando, tinha mania de querer se aparecer diante dos outros.

 Então, ele foi para a minha sala. Logo que ele chegou, eu lhe entreguei o diário do elogio para a mãe, que começou a falar muito, dando razão para a criança e falando mal da outra Professora. Então, eu disse a ela que não queria ouvir falar mal da colega e que iria lhe explicar como era o meu trabalho. E já comecei a lhe falar sobre o diário de elogio: “a partir de agora, você vai para casa, vai pegar esse caderno e escrever uma página só de elogios para ele. Depois de escrever, você vai ler e, a partir de agora, você vai só elogiar seu filho, nesse caderno. Após a saída da mãe, o menino começou a apresentar um comportamento inadequado. Eu o chamei à mesa e lhe disse:
- João Vítor, nessa sala não existe as palavras “não sei”, “não consigo” e você é uma criança inteligente, que só vai dar alegria para a Professora. A partir de agora você vai se sentar no seu lugar, fazer as suas atividades, com responsabilidade, respeitando seus colegas. Aqui temos horário para tudo, para conversar, trabalhar etc etc. Nesse momento, eu pedi a ele o caderno de Língua Portuguesa, não com o objetivo de ver o que ele tinha estudado até ali, mas de elogia-lo. E escreveu uma página de elogio para ele: ”João Vítor, a Professora ama você... Beijos. Professora Cidinha”. Então, perguntei-lhe se ele sabia ler. Ele respondeu que sim e eu lhe pedi para que ele lesse para a sala aquela página. Ele leu e foi se sentar na cadeira. Com  esses elogios e os da mãe, o aluno nunca mais deu trabalho. A Professora do outro período perguntava: “e aquele capeta que eu mandei pra você?” “Eu não recebi nenhum capeta. O João Vítor é um dos meus melhores alunos. É o meu ajudante. Tem iniciativa, vai levar recados para o diretor”. A mãe, que sempre era chamada na escola para ouvir reclamações, nunca foi chamada. Um dia, ela apareceu na reunião semanal de trabalho pedagógico especialmente para agradecer, perante todos, pelo meu trabalho. Dizia que “era maravilhoso o que a Professora Cidinha estava fazendo com o seu filho, e que ele estava se  transformando em casa,  ele estava parecendo ser outra criança”.

Na sala de aula, passou a concluir as atividades. Mas a mãe continuou vindo conversar comigo, e eu o elogiava cada vez mais. Mas ela insistia em perguntar o que deveria fazer com ele. Um dia, essa mãe me contou que não entendia porque ele era daquele jeito, arteiro, rebelde, pois, como tinha mania de limpeza, não deixava que ele sujasse nada, não permitia que ele tirasse nada do lugar, que ele brincasse com outras crianças, o que ela fazia por questão de segurança, por medo. Inclusive, as crianças, colegas da sala, disseram que passaram na casa dele para brincar e a mãe dele não tinha deixado.

 Eu sempre lhe dizia para que ela o confiasse a Deus. Explicava que ele deveria ter algum colega. Aos poucos, a mãe foi deixando-o brincar. Sutilmente, eu lhe disse: “você gosta de ter as coisas no lugar, mas o que é mais importante: ele lá, com você, brincando, perfeito e saudável, ou tudo no lugar e ele triste? Ele é uma criança que precisa ter aproveitado o talento, a inteligência, e você, deixando-o trazer os colegas, brincar com eles dentro de casa, ele vai desenvolvendo isso, o que é uma coisa muito boa”. A mãe concordou – “Ah, tá bom, Professora (eu tinha sentido que ganhara a mãe e poderia lhe falar qualquer coisa). O importante, é que ele não deu mais trabalho para terminar as atividades. A mãe achava até que ele tinha problema mental. Mas eu afirmei a ela que ele não tinha problema algum, mas que precisava mesmo era direcionar a energia que estava guardada dentro dele.

 No final do ano, eu mostrei para a outra Professora a ótima prova que ele fez, o que ela achou inacreditável, pois ele não fazia nada com ela.
Com o passar dos anos, pela experiência, eu consigo diagnosticar, já no primeiro dia de aula, em conversa com a criança e com alguma atividade, como o ditado, por meio dos quais observo a coordenação motora dela, entre outras coisas, se ela tem algum tipo de problema físico ou mental ou se apresenta algum comportamento indevido. A partir daí, é só uma questão de redirecionar-lhe a energia para que tudo corra bem.

 

3. Com mais ou menos 3 meses de trabalho com diário do elogio com um aluno que era considerado especial e estava sendo acompanhado num centrinho médico por neurologista, oftalmologista, psicólogo, fui chamada para ir a esse centrinho e questionada sobre o tipo de trabalho que estava fazendo com essa criança, porque ele melhorou com uma rapidez extraordinária  e eles estavam liberando-o, pois ele não precisava mais dos seus serviços profissionais. Eu falei sobre o diário de elogio para a psicóloga que estava me entrevistando e ela ficou encantada, dizendo que iria fazer esse trabalho, inclusive com os filhos.

 

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